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.5_Quasi-Povo [perfectus maquinatios]

  • Junho 8, 2006 – 9:16 am
  • Publicado em 1º Parte - Prólogo
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O quasi-povo era a estirpe mais curioso dos povos existentes. Eram praticamente 100% máquinas, com pequeníssimas partes humanas, digamos que o inverso da estrutura do semi-povo, mas a percentagem de divisão humano/máquina era mais favorável às máquinas. Dotados de vários processadores, localizados no que os humanos chamariam de órgãos, e para o resto dos subsistemas eram controlados por mini-processadores. Enriquecidos por líquidos e gases fabricados internamente, que alimentavam toda a estrutura mecânica e biológica, eram o povo mais eficiente dentro de uma escala progressista de evolução. Toda uma estrutura de mecânica avançada e de alto desempenho muniam o quasi-povo, de modo a subsistirem eficientemente e prolongadamente no tempo.

Era curioso, visto que eram integralmente máquinas à excepção do invólucro. Mantinham as propriedades dérmicas e epidérmicas, munidos de pele semelhante à dos humanos. Protegia-os de infestações e todo o tipo de vírus provindos do exterior. Revelavam uma independência impressionante, já que autoproduziam toda a matéria-prima de que necessitavam. A sua matéria-prima eram cristais e minerais que eram produzidos ao cuidado de um processador específico, com 5 micro-processadores imbutidos, para que a manutenção, controlo e processo de desenvolvimento tivessem constante cuidado e observação.

Quanto ao código, possuiam linhas de comandos, funções e equações de alta complexidade, muito ramificadas e portanto com grandes capacidades e possibilidades de adaptação fácil e extremamente rápida e eficaz. Possuíam uma linguagem autónoma específica, que era reconhecida no CMF por homolgação do código depois de alterações que proporcionaram adaptar e manter uma linguagem independente do próprio CMF.

Era a que chamaríamos de 'espécie perfeita'. Não só funcionavam com processadores e microprocessadores, como também utilizavam fibra óptica para uma comunicação mais eficaz dentro do próprio organismo, e também possuíam as ligações electroquímicas do cérebro humano. Eram milhões de impulsos que se produziam por segundo, mantendo todo aquele organismo em pleno desempenho a todo o momento. Não necessitavam de reboot nem de interrupção intermitente do core.

Constituíam-se por hierarquias, com o mestre e os seus súbditos directos, depois os descendentes e posteriormente os de gerações vindouras inusitadas. Cada um desempenhava uma função muito específica, e não existia qualquer rotatividade. Ainda, eram dotados de programadores que mantinham e desenvolviam a linguagem, comandos, funções, equações, vectores, etc.

Da simultaneidade para a eternidade da curva do tempo, o sofrimento acabara na vida e na força da existência da perfeição. Comandos e equações emergiam das superfícies, contudo, no profundo surgia algo mais, talvez uma alma dançante no corpus…

.4_Semi-Povo [biocorpus versus maquinatios]

  • Maio 22, 2006 – 1:10 am
  • Publicado em 1º Parte - Prólogo
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Os semi-povos são curiosos tanto ao nível de código como também ao nível fisionómico. Quanto ao código, são compostos por linhas, equações e termos derivados de apenas duas fórmulas-base, dois axiomas. A partir destes axiomas, derivam todas as equações, resoluções e até a previsão de problemas é possível. Contudo, a linguagem é de 2º nível, auxiliada por a linguagem-base mais termos inventados posteriormente para auxiliar a simplificação do código, tanto no sua escrita como estrutura. São estruturalmente pouco ramificados, mas assentam na assimilação de termos de outros espectros, susceptíveis a mudança e alguma adaptação para a sua linguagem-base reconhecida.

Ao nível fisionómico, como indica o prefixo semi, são biológicos e maquinais (sistema motor, eléctrico e computacional). São regulados pelas strings comuns, mas estas são adaptadas, modificadas até se necessário pelo processador central, localizado no local do coração, implantado superficialmente neste órgão. Regula todas as funções corporais e biológicas, e ainda assiste o cérebro no processamento de toda a informação existente no seu meio ambiente.

Surgiram vários séculos depois dos proto-povos, onde estes participaram na sua criação, aquando da sua fase embrionária. Contudo, surgiram espontaneamente na natureza, a partir da flor de ópio, que criou o primeiro organismo bio-genético-maquinal. Após a sua descoberta pelos proto-povos, criaram laboratórios para a sua gestação em ambiente sereno e pouco inóspito. Com a sua paulatina evolução para o estado actual foram adaptando-se, seleccionando modos de sobrevivência eficientes e de qualidade superior, registando todo o seu processamento no Arquivo Central de Processamento Sobrevivencial e Performativo (ACPSP). Viveram tranquilamente em conjunto com os proto-povos, até que por decisão democrática, afastaram-se e dividiram o espaço do 1º Mundo. Com isto, pretendia perpetuar a eficiência da sua espécie, sem qualquer conflito com os proto-povos.

Constituíam-se em tribos trípticas, ou seja, composta por 3 elementos, onde todos assumiam a posição de líder, de forma a evoluirem e superiorizarem o seu desempenho global. Perpetuavam a espécie através preparação do líquido vegetativo duma papoila, induzindo-o com equações e fórmulas do código a simular de forma a activar a matriz inicial que encarregar-se-á de iniciar a ovulação. Tendo um micro-processador implantado no ovo, inicia-se por cálculo e ordem deste a sua gestação. Todas as funções corporais e computacionais são regulados pelo micro-processador, que quando termina a fase de gestação, cria a equaçáo final de derivação, que transformará o ovo gestado num casulo. No casulo, o corpo biológico formar-se-á em 5 meses, ao que no fim o micro-processador é retirado cirurgicamente, activando o processador central localizado no coração. Assim completa-se o círculo e inicia-se uma vida no semi-povo.

Completados ciclos e ciclos eternos de tempo, a vida repete-se conturbadamente, na sucessão de micros e macros computacionais… O artificial ultrapassou o natural, numa simbiose desfavorável ao hospedeiro, que retraído diluí-se nas cinzas do espectro espaço-temporal…

.3_Proto-Povo [primus inter pares]

  • Maio 20, 2006 – 5:21 am
  • Publicado em 1º Parte - Prólogo
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Os proto-povos, tal como indica a etimologia da palavra, designa os primeiros povos. São a primeira criação humana que surgiu pela primeira vez, e caminhou pela primeira vez no 1º mundo. São criaturas que nunca envelhecem, permanecem sempre jovens, no auge da idade do ouro, de forma física e mental superior. A sua configuração genética sustém todas estas especificidades. São a primeira string escrita, a primeira variação do CMF (código matricial fundamental), e são portanto o tipo de povo mais forte, estável e menos susceptível a erros de cálculo, erros de equação, resolução e verificação. São dotados fisicamente de componentes de simetria completa, isto é, como o que chamariamos de humanos, no sentido usual da palavra. A sua fisionomia permitia-lhes uma vida adaptada ao meio ambiente, continuamente resolutos na ultrapassagem de obstáculos apresentados por aquele. Capazes de adaptação, hipóteses, soluções e meios para as executar, sobreviviam acima do nível médio de sobrevivência calculada sobre as espécies existentes.

Quanto ao código, eram de linguagem básica e simples, com poucas sofisticações, mas eram os únicos que conseguiam manter-se vivos e operacionais perante alterações de linhas, termos e expressões tanto no CMF como na sua própria string sem necessitar de reset ou interrupted shutdown. Daí o seu nível de operabilidade, sustentação e sobrevivência ser elevado, acima da média.

Assim, os proto-povos eram seguramente a componente forte que compunha o hemisfério dos povos habitantes no 1º mundo, aos quais foram os exclusivos habitantes deste.

Estruturalmente, eram constituídos por famílias, as quais eram tuteladas pelo líder, aquele que zelava pela regulação, manutenção e sobrevivência da família. Depois, surgia a fêmea adulta, e de seguida os filhos, produtos da copulação do líder com a fêmea correspondente. Assim, combinavam geneticamente todas as especificidades de nível elevado de eficiência e operabilidade, conducentes a uma excelente reprodução, manutenção e elevação da qualidade do povo, dos códigos e strings que regulavam esta espécie.

No início tinham surgido incapazes de aparentemente sobreviverem e triunfarem junto do meio ambiente, da natureza pura e crua, agressiva a qualquer entidade biológica. Susteram a respiração no momento da fadiga e naúsea inicial, superando as adversidades conjuntas dos ambientes nefastos…

.2_Povos [novum scientia]

  • Maio 18, 2006 – 2:57 am
  • Publicado em 1º Parte - Prólogo
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A população compunha uma porção da percentagem espaço-temporal admitida no quadro geral. Compostos por povos, e diferenciados em semi-povos, proto-povos e quasi-povos, os povos assumiam a totalidade generalizada das subcategorias.

Eram determinados por traços gerais, distinguíveis por contraste das subcategorias, e delimitavam a possibilidade completa do painel genético. Partilhavam da mesma string genética, a sequência e componente do código matricial que regulava todo o Universus. Desse código matricial fundamental, várias subcorrentes emergiam numa harmonia quântica. Cada subcorrente de variação do código matricial fundamental denomina-se por string.

Cada objecto presente na corrente espaço-temporal do Universo eram determinados, regulados e controlados por uma string. Desta forma, os povos e as suas subcategorias eram determinadas por uma infinidade de strings.

Deste modo, os povos eram resolúveis por equação matemática, directamente efectuada por possível solução diferencial da string correspondente aos mesmos. A string dos povos era simples e pequena por virtude da sua generalidade face às especificidades e idiossincracias das subcategorias dos povos.

Assim sendo, os povos caracterizavam-se por equacionarem-se por traços fisiológicos específicos, extremamente similares ao corpus humanus. Órgãos, sistemas circulatórios, respiratórios, linfáticos e outros eram regulados por mini-strings, caracterizadas pela sua simplicidade em termos sintéticos e de eficiência.

Os povos, de tão gerais que eram, apenas compunham estas caracterizações, às quais eram acopladas especificidades, particularizações e concretude pelas subcategorias dos povos supra citadas.

.1_Metamorfosis

  • Maio 18, 2006 – 12:22 am
  • Publicado em 1º Parte - Prólogo
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A surdez do novo mundo multiplicara-se pelas gerações. A sua réplica aperfeiçoara a sua forma, e atenuara a traição cometida pelas impurezas matemáticas do 1º mundo. A susceptibilidade das forças constantes da estrutura formada pela concatenação de átomos e moléculas feria qualquer habitante. Tinham temor e respeito por ele. Mudara a sua forma contida no infinito do abismo e da vertigem simbilante da terra. Elíptica no centro e parabólica nos pólos mais afastados, retomava o seu poderoso conteúdo antes conseguido pelos povos criadores.

A áurea antes conquistada anunciava-se na aurora do novo mundo. Novas silhuetas e mentalidades asseveraram os pensamentos dos anciões. Temiam talvez a morte, a dissipação, ou simplesmente o esquecimento…

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