O quasi-povo era a estirpe mais curioso dos povos existentes. Eram praticamente 100% máquinas, com pequeníssimas partes humanas, digamos que o inverso da estrutura do semi-povo, mas a percentagem de divisão humano/máquina era mais favorável às máquinas. Dotados de vários processadores, localizados no que os humanos chamariam de órgãos, e para o resto dos subsistemas eram controlados por mini-processadores. Enriquecidos por líquidos e gases fabricados internamente, que alimentavam toda a estrutura mecânica e biológica, eram o povo mais eficiente dentro de uma escala progressista de evolução. Toda uma estrutura de mecânica avançada e de alto desempenho muniam o quasi-povo, de modo a subsistirem eficientemente e prolongadamente no tempo.
Era curioso, visto que eram integralmente máquinas à excepção do invólucro. Mantinham as propriedades dérmicas e epidérmicas, munidos de pele semelhante à dos humanos. Protegia-os de infestações e todo o tipo de vírus provindos do exterior. Revelavam uma independência impressionante, já que autoproduziam toda a matéria-prima de que necessitavam. A sua matéria-prima eram cristais e minerais que eram produzidos ao cuidado de um processador específico, com 5 micro-processadores imbutidos, para que a manutenção, controlo e processo de desenvolvimento tivessem constante cuidado e observação.
Quanto ao código, possuiam linhas de comandos, funções e equações de alta complexidade, muito ramificadas e portanto com grandes capacidades e possibilidades de adaptação fácil e extremamente rápida e eficaz. Possuíam uma linguagem autónoma específica, que era reconhecida no CMF por homolgação do código depois de alterações que proporcionaram adaptar e manter uma linguagem independente do próprio CMF.
Era a que chamaríamos de 'espécie perfeita'. Não só funcionavam com processadores e microprocessadores, como também utilizavam fibra óptica para uma comunicação mais eficaz dentro do próprio organismo, e também possuíam as ligações electroquímicas do cérebro humano. Eram milhões de impulsos que se produziam por segundo, mantendo todo aquele organismo em pleno desempenho a todo o momento. Não necessitavam de reboot nem de interrupção intermitente do core.
Constituíam-se por hierarquias, com o mestre e os seus súbditos directos, depois os descendentes e posteriormente os de gerações vindouras inusitadas. Cada um desempenhava uma função muito específica, e não existia qualquer rotatividade. Ainda, eram dotados de programadores que mantinham e desenvolviam a linguagem, comandos, funções, equações, vectores, etc.
Da simultaneidade para a eternidade da curva do tempo, o sofrimento acabara na vida e na força da existência da perfeição. Comandos e equações emergiam das superfícies, contudo, no profundo surgia algo mais, talvez uma alma dançante no corpus…